quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Algumas considerações acerca da Liderança (face aos grupos sociais) - Parte 2


Tendo em conta os comportamentos do líder face aos membros de um grupo, propomos a seguinte classificação:
  • O tipo autoritário que visa influenciar outrem directamente e por pressão externa. Este género contém, aliás, duas espécies: o chefe autocrítico que se impõe pela intimidação ou por sações, sem se importar com as reacções dos outros; o chefe paternalista, de aspectos mais complexos, porque deseja ao mesmo tempo ser obedecido, respeitado e, até, amado.
  • O tipo cooperativo, consistindo em associar outros se não à tomada de decisões, ao menos à sua preparação e suas aplicações. Aqui, a distância entre o líder e os outros é ainda muito menos acentuada. Assim como o grau de coerção varia no modo autoritário, o grau de «permissividade» pode variar no modo cooperativo.
  • O tipo manobrador, que consiste em influenciar os outros indirectamente e, se possível, sem que o saibam. Esta atitude dá-se com frequência, a seguir aos fracassos prévios do estilo autoritário.
À margem destes três tipos maiores convém referir:
  • O tipo elucidador, que visa colocar o grupo em situação de decidir colectivamente depois de uma consciencialização dos seus problemas e processos. Esta atitude, que não é propriamente dita uma lideranla, exerce uma espécie de influência catalítica ao facilitar a posta em marcha dos recursos internos do grupo. Atém-se estreitamente à atitude chamada «não directiva» preconizada em psicoterapia por C. Rogers.
  • O tipo do «deixa correr», que consiste numa espécie de demissão da autoridade por um chefe provido de um estatuto nominal que se desinteressa da actividade do grupo ou deixa dominar por ele.
Todavia não se deve exagerar a importância das tipologias, consideradas de maneira estática ou mesmo dinâmica. O impacto de um chefe está ligado à compatibilidade entre a satisfação das suas necessidades pessoais, das dos outros e das exigências, aliás volúveis, da acção colectiva e de todo o contexto social. Nesse sentido, a adaptabilidade adquire uma grande importância e uma das definições mais pertinentes é ainda aquela que formulam os membros de um dos nossos grupos: «O chefe é o homem da situação».
in A Dinâmica dos Grupos, de MAISONNEVE, Jean


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