A resistência à mudança pode, assim, provir do carácter coercitivo que frequentemente reveste esta mudança; o cidadão, o usuário, o trabalhador vêem-se constrangidos a novas operações sem terem sido, em geral, informados nem consultados. Têm a impressão de que um poder superior toma decisões sobre eles sem terem em consideração o modo como eles se adaptaram à situação anterior nem as sugestões que eles eventualmente poderiam ter apresentado.
Por outro lado, um fenómeno de inércia e de rigidez tende a entorpecer o esforço necessário para realizar uma nova adaptação; a propósito, é certo que a idade ou o estado de fadiga reforçam a apreensão provocada pela mudança.
A resistência à mudança depende dos fenómenos de solidariedade e de pressão colectiva: enquanto nós nos conformamos aos seus modelos, o grupo aprova-nos e protege-nos; se somos tentados a esquecê-los, expomo-nos imediatamente à reprovação se não às sanções dos nossos companheiros - o que acentua a nossa própria repugnância a nos deixarmos de solidarizar com o grupo. Desta forma se vê como se manifesta o carácter profundamente sócio-afectivo da resistência à mudança.
in A Dinâmica dos Grupos, de MAISONNEVE, Jean
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